DISCOGRAFIA

13. MOURA

(Letra de José Eduardo Agualusa e Música de Toty Sa’Med)

 

Sou moura, o sol me doura a pele,

ao céu do deserto eu chamo meu.

No ar aberto ardo: chama e mel.

Onde se solta o vento, eu solto o véu.

 

Só desejo o que passa, o breve instante,

asas, navios, a água dos rios.

Sou viajante, caminho sempre adiante

dos frios invernos e dos secos estios.

 

Sou moura, conheço os génios do vento,

sei desatar os nós dum mau enredo.

Por vezes choro, porém logo invento

um riso novo para afastar o medo.

 

Só desejo o que não pode ser,

miragens e mitos, e se canto e grito

é pra impedir o céu de escurecer

- como largar fogo ao infinito.


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