DISCOGRAFIA

15. NÃO É UM FADO NORMAL

(Letra e Música de Amélia Muge)

 

Olhas p’ra mim
Com esse ar reservado
A estoirar pelas costuras
Nem sei se estou em Lisboa
Será que é Tóquio ou Berlim?
Tu não me olhes assim!
Porque o teu olhar tem ópio
Pitadas de gergelim

 

Mas se isto é fado
Ponho o gergelim de lado
Vou buscar o alecrim
E tu sempre a olhar p’ra mim
Como se alecrim aos molhos
Atraíssem os teus olhos
Não tenho nada com isso
Alguém que quebre este enguiço
Que eu não respondo por mim

 

E já estou, quase a trocar
O mal pelo bem, e o bem pelo mal
Se isto é fado
Não é uma fado normal
A trocar, o mal pelo bem e o bem pelo mal
Não é um fado normal

 

Vou por lugares
Nunca dantes visitados
E há que ter alguns cuidados
Porque bússola não há
E baralham-se os sentidos
Se andamos ao Deus-dará
Sem sentinelas nos olhos
Vou confiar no ouvido
E nada vai estar perdido

 

Mas se isto é fado
Vou entristecer o quadro
P’ra tom de cinza acordado
Que eu não quero exagerar
No meio do nevoeiro

 

Mas se isto é fado
Vou entristecer o quadro
Que eu não quero exagerar
No meio do nevoeiro
Teimo em ver o teu olhar
Que não ser derradeiro
Alguma coisa se solta
Que talvez não tenha volta


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