DISCOGRAFIA

08. A FADISTA

(Letra de Manuela de Freitas e Música de Pedro Rodrigues dos Santos [Fado Primavera])


Vestido negro cingido,
Cabelo negro comprido
E negro xaile bordado.
Subindo à noite a avenida,
Quem passa julga-a perdida,
Mulher de vício e pecado.
 E vai sendo confundida,
 Insultada e perseguida
 P’lo convite costumado.

 
Entra no café cantante
Seguida, em tom provocante,
Pelos que querem comprá-la.
Uma guitarra a trinar
E uma sombra, devagar,
Avança pró meio da sala.
 Ela começa a cantar
 E os que a qu’riam comprar
 Sentam-se à mesa a olhá-la.

 
Canto antigo e tão profundo
Que, vindo do fim do mundo,
É prece, pranto ou pregão.
E todos os que a ouviam
À luz das velas pareciam
Devotos em oração.
 E os que há pouco a ofendiam
 De olhos fechados ouviam
 Como a pedir-lhe perdão.

 
Vestido negro cingido,
Cabelo negro comprido
E negro xaile traçado,
Cantando pr’aquela mesa
Ela dá-lhes a certeza
De já lhes ter perdoado.
 E em frente dela, na mesa,
 Como em frente de uma deusa,
 Em silêncio, ouve-se o fado.


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