DISCOGRAFIA

02. E VIEMOS NASCIDOS DO MAR

(Letra e Música de Fausto Bordalo Dias)

 

E muito se espantam da nossa brancura
Entretanto
E muito pasmavam de olhar
Olhos claros assim
Palpavam as mãos e os braços
E outras partes
Portanto
Esfregavam de cuspo minha pele
Para ver se era
Enfim
Uma tinta
Ou se era de estampa
Uma carne tão branca
Vendo assim que era branco
O meu corpo e a brancura de então
Extasiam
E muito se pasmam
De todo em admiração

 

E uns escondem as suas vergonhas
Cobertas de estopas
E eram grandes e gordos
E baços
E enxutos
Os pretos
Pelas ventosidades
Confundem traseiros e bocas
E tapam aqueles e estas
Dobram calafetos
E os mais pardos
Lá vão quase nus
Vão ao léu
Gabirus

 

E de tetas até à cintura
Há mulheres crepitantes
Tão desnudas
Meneiam na dança
O seu corpo dançante

 

E éramos brancos de assombro
E nascidos do mar
Pelas naves
Guiados pelos ventos do céu
E pelo voo das ave


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